terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Faxina

Recebi esse texto por e-mail de uma amiga, achei bárbaro. Gostaria muito de saber quem é o autor/a para parabenizá-lo/a.
Com muita sutileza e uma riqueza de detalhes, a pessoa demonstra os sentimentos, expectativas, anseios e decisões. Quem nunca sentiu necessidade de fazer uma faxina na própria vida?
Aproveito pra esclarecer que não estou postando com frequência porque tenho realizado diversos trabalhos e me falta o tempo, mas estou aqui.

Estava precisando fazer uma faxina em mim... Jogar alguns pensamentos indesejados fora. Lavar alguns tesouros que andavam meio enferrujados... Tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e não quero mais. Joguei fora alguns sonhos, algumas ilusões... Papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca darei... Joguei fora a raiva e o rancor das flores murchas que estavam dentro de um livro que não li...
Olhei para meus sorrisos futuros e minhas alegrias pretendidas. E as coloquei num cantinho bem arrumadinhas.
Fiquei sem paciência! Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão:
Paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de um amigo, lembranças de um dia triste... Mas, lá também havia outras coisas... E belas! Um passarinho cantando na minha janela. Aquela lua cor de prata, o pôr-do-sol...
Fui me encantando e me distraindo, olhando para cada uma daquelas lembranças...
Sentei no chão para poder fazer minhas escolhas. Joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou. Peguei as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima, pois quase não as uso. E também joguei fora no mesmo instante!
Outras coisas que ainda me magoam coloquei num canto para depois ver o que farei com elas, se as esqueço lá mesmo ou se mando para o lixão. Aí, fui naquele cantinho, naquela gaveta que a gente guarda tudo o que é mais importante: O amor, a alegria, os sorrisos, um dedinho de fé para os momentos que mais precisamos... Como foi bom relembrar tudo aquilo!
Recolhi com carinho o amor encontrado, dobrei direitinho os desejos, coloquei perfume na esperança, passei um paninho na prateleira das minhas metas, deixei-as à mostra para não perdê-las de vista. Coloquei nas prateleiras de baixo algumas lembranças da infância, na gaveta de cima as da minha juventude e, pendurado bem à minha frente, coloquei a minha capacidade de amar e de recomeçar!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O amor acontece de repente...

Miriam era uma mulher solitária, bem diferente dos anos anteriores quando ela saía para curtir com as amigas, costumava dançar, viajar e uma série de outras diversões. Sempre tão popular! A vida era repleta de emoções! Só que as pessoas mudam, não na essência, essa será a mesma, a personalidade é única, mas as pessoas mudam de estilo, gosto musical, passam a apreciar novos pratos, podem ter outra visão política, religiosa, elas amadurecem e passam a se importar com coisas diferentes. E isso aconteceu com Miriam. Um dia, com o passar dos anos, ela parou de sair e já não via mais graça em virar a noite, ficar com homens que acabou de conhecer nas baladas, nada disso lhe agradava. 
Em que momento o tempo passou sem que Miriam  notasse? Em qual esquina seus desejos e expectativas foram esquecidos? Essa fase chegou ao fim. Aos 28 anos, embora não dissesse para outras pessoas, seu sonho era constituir família, casar-se e ter filhos. Seus programas se limitavam apenas a cinema, teatro e jantar fora. Sempre olhava para os lados como a procurar alguém interessante disposto a vivenciar as mesmas experiências. Quando Miriam ia a alguma festa, tentava se fazer notar, porém nada acontecia. Ela retornava para casa sem esperanças. E dia após dia sentia-se melancólica. Miriam procurava um amor desesperadamente, mas não o encontrava. Suas amigas todas estavam comprometidas e ela sempre só. Tomou a decisão de demonstrar ao mundo que era feliz, uma mulher moderna, alguém que tinha planos diferentes da maioria das mulheres, que pensava apenas em sua carreira, mas lá no fundo do seu íntimo, sentia falta de um homem para abraçar, beijar, estar junto, contar seus problemas, dividir seus sonhos, rir e chorar, não alguém que no dia seguinte não fosse mais telefonar. E assim seus dias iam passando sem grandes novidades. Miriam acreditava ser essa sua sina, teria um grande emprego, mas não teria um grande amor, não formaria sua própria família. 
A vida é como um mar aberto, algumas vezes está calma, em outras é turbulenta. Tudo pode mudar quando menos se espera da mesma maneira que do sul surpreendentemente chega uma frente fria, mudando os planos de passeio das pessoas... E foi assim que num belo dia, ela que não costumava trabalhar aos sábados, resolveu ir para a empresa de modo a adiantar o serviço, tinha acumulado tarefas, além disso, estar na empresa ocuparia seu tempo vazio. Aquele era mais um dia comum como tantos outros em sua vida, ao menos parecia ser... Decidiu pegar o metrô e, na estação, reparou num homem muito interessante, charmoso, porém sério. Ele a olhava de vez em quando até que um sorriu para o outro. Por coincidência ou talvez uma ajudinha do destino,  ambos acabaram por entrar no mesmo vagão, sentando-se lado a lado. Passados alguns minutos de silêncio constrangedor, ele resolveu tentar uma conversa, apresentou-se e fez um elogio. Os dois conversaram rapidamente assuntos do cotidiano: onde trabalhavam, moravam, o que gostavam de ler, gênero preferido de filmes e uma infinidade de atividades simples. E trocaram telefone.
Miriam não costumava dar atenção a estranhos,  mas aquele homem havia mexido com ela. Ele desceu duas estações antes. E a moça seguiu seu caminho até o trabalho. 
O dia estava normal, Miriam colocou as tarefas em dia, conversou com colegas, recebeu um convite pra uma festa, inventou uma desculpa para não aceitar. Lembrou do homem no metrô, seu nome era Marcos, ela sorriu ao pensar nele e achou que nunca mais se encontrariam, ela não iria telefonar e tinha a certeza de que ele também não. A troca de telefone se deu no momento da paquera, porém, cada um viveria sua vida e acabariam se esquecendo daquele dia. 
As horas foram passando e mais um dia chegou ao fim. Ao entrar em casa,  Miriam tomou seu banho, pediu uma pizza e resolveu assistir a um filminho na TV, acabou adormecendo no sofá de tão  exausta. Na manhã seguinte, um lindo domingo de Primavera, o sol brilhava radiante no céu. Ela estava tomando seu café ainda de pijamas e certa preguicinha quando o telefone tocou e não é que era Marcos? Miriam não conseguia acreditar, sentiu-se eufórica, atendeu à ligação e os dois conversaram durante um tempão, ele a convidou para um passeio durante a tarde. Claro que ela aceitou! Miriam escolheu uma roupa confortável, mas sexy. Usou seu melhor perfume, fez uma maquiagem discreta dessas que disfarçam o fato da pessoa se produzir ainda que seja essa a intenção. Comeu uma saladinha e um suco natural, ainda teve tempo de ler algumas páginas de um livro mesmo sem conseguir se concentrar muito, aquele homem tinha algo diferente, especial, e saiu. Foram ao Parque do Ibirapuera e se divertiram muito, caminharam, conversaram sobre diversos assuntos, riram bastante, sentiram-se à vontade um com o outro, pararam numa lanchonete mais tarde e depois ele a deixou em casa. O dia foi incrível, havia muito tempo que ela não se sentia plena e feliz daquele jeito. 
A partir daquele momento, os dois começaram a se falar todos os dias. De repente, estavam namorando. 
Esse relacionamento deu certo, não foi programado, aconteceu! Hoje Miriam e Marcos são casados, eles têm uma filhinha linda e são felizes. Coisas do destino... 
Moral: Sabe quando as coisas parecem estar em ordem ou talvez remediadas? Mas de modo surpreendente um vento forte vem e bagunça tudo? É a chegada aquela pessoa que aparece do nada e você se questiona como pôde ter vivido até aquele momento sem ela? Do nada um chefe contrata uma profissional e ganha muito mais que uma parceira de trabalho? Ou uma aluna muda de uma escola que adorava para outra e, apesar de triste com a mudança, conhece aquela que se tornará sua melhor amiga, sua sócia num empreendimento futuro? 
Na vida é  assim, nada é, tudo está, e o amor acontece quando menos esperamos, quando não estamos procurando por ele. Sandra

sábado, 9 de janeiro de 2010

Divagações sobre o amor...

Esse texto é de uma escritora chamada Sueli Constancia Lopes Alves, quando o li, achei bárbaro e desejo compartilhá-lo com os amigos. Concordo plenamente.

O amor está presente na maioria dos textos escritos desde que o homem aprendeu a maravilhosa arte de escrever. Há opiniões, as mais diversas sobre o tema. Sobre ele, já escreveram filósofos, literatos, psicólogos, médicos, sociólogos, jornalistas, gente do povo, amantes, amados...
Não há, entretanto, quem tenha explorado mais o assunto do que os artistas.
O amor tem sido narrado, encenado, pintado, esculpido, cantado, declamado... Todas as formas de amar, todos os seus encantos e desencantos. Amor alegre e amor triste, amor gritado aos quatro ventos, amor calado, amor correspondido ou desprezado, amor partilhado ou solitário, amor... amor... amor...
Talvez quem mais tenha decantado o amor foram os poetas:

Amor é fogo que arde sem ver...
Que não seja imortal posto que é chama...
Só quem ama é capaz de ouvir e de entender as estrelas...
Eu quero amar, amar perdidamente! Amar só por amar: Aqui... além...
Oh amor, desenredado jardim que se consome...
Quem nessa vida amou e não sofreu, passou pela vida, não viveu...

Sublimes Camões, Vinícius, Olavos, Florbelas e tantos mais! Sábios são os poetas ou por serem poetas é que são sábios!
O amor vale sempre a pena. Mesmo que traga dor, tem que ser vivido com sofreguidão.
Às vezes, o amor é como um rio que passa e cuja águas não retornam. E se não passarão de novo, nelas quero mergulhar profundamente, e dessa corrente beber até que a última gota se esgote.
Não sei viver o amor placidamente, a placidez é pra quem acha que se arriscar não vale à pena porque tem a alma pequena - o mestre Fernando Pessoa que me perdoe o atrevimento.
Não quero a mansidão dos estoicistas, quero a intensidade dos epicuristas!
Não quero a placidez dos rios, quero a voracidade do mar, que invade a areia sem pedir licença, que lança suas ondas sem vergonha de rebentar e em espumas se desfazer.
Não sou o rio sereno, sou a agitação do oceano!
Não sou a calmaria, sou a fúria de amar!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Recomeço

Os relacionamentos duram o tempo necessário para que as pessoas sejam felizes. Ou aprendam com eles. A vida é feita de ciclos e os momentos que vivemos se renovam. Portanto, temos que seguir adiante. O que acabou deve ficar no passado, teremos doces recordações de boas situações vividas, as ruins nos servirão como lição, porém, temos que abrir o coração para uma nova etapa. Precisamos nos doar ao máximo numa relação para quando ela chegar ao fim, termos a consciência tranquila, a certeza de que tentamos. O que não podemos é dar murro em ponta de faca, investir num relacionamento que não nos traz mais alegria. Assim como também não devemos obrigar alguém a viver em função dos nossos desejos, nem nos relacionarmos com alguém que pensa em outro alguém. Os dois devem estar preparados para recomeçar, deixando as paixões antigas lá atrás. Mais cedo ou mais tarde, acertaremos na escolha e aí não teremos que viver um novo fim. O importante é deixarmos a mente e o coração livres pra quando esse momento chegar e ele fatalmente chegará, no tempo certo.
Muitas vezes, uma amor antigo, adormecido, desperta para nunca mais partir, pois precisava de um tempo pra que o casal se organizasse, se entendesse e analisasse a dimensão desse sentimento, descobrisse até que ponto um estaria disposto a ceder em prol do outro. Não deixa de ser um recomeço. O importante é saber diferenciar ilusão de sentimento. O amor é um presente de Deus, é a melhor coisa do mundo, mas só quando nos faz felizes. Sandra

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O destino


O Encontro

Era fevereiro de 1993, o tempo estava muito quente e dali alguns dias seria Carnaval. Sara costumava viajar para o litoral paulista sempre que surgiam feriados prolongados, ela gostava da pitoresca cidade Boiçucanga ou de São Vicente. Mas, os amigos queriam ir para Mongaguá. Ela definitivamente não gostava de lá, achava que era uma praia sem graça embora fosse um lugar escolhido por muitos. Daquela vez, Sara fez a vontade dos amigos e foi para lá mesmo contrariada.
A cidade estava cheia de visitantes, todos os lugares lotados, havia fila pra tudo. Durante o dia, as pessoas disputavam um lugar na areia para colocarem o guarda-sol, a barraca, as cadeiras... durante a noite, iam procurar diversão nos barzinhos, nos quiosques onde a música rolava a noite inteira até o amanhecer, iam na danceteria da cidade ou na avenida para assistirem a escola de samba local passar. Depois que a escola passava, todos pulavam com os bloquinhos na rua. Menos Sara, ela sentou-se no banco da praça central, próximo à feirinha e lá ficou observando o movimento, entediada.
Uma multidão caminhava de um lado a outro e Sara só pensava consigo mesma: "o que estou fazendo aqui?" quando, de repente, passou por ela um homem lindo, desses que habitavam seus sonhos mais secretos. Trocaram um olhar e um sorriso até que ele se aproximou... Foi rápido assim!
Sara era uma morena de olhos castanhos e cabelos longos, estava bronzeada e usava um vestido florido. Tinha 19 anos. Márcio era loiro, de olhos cor de mel, um físico forte e tinha os cabelos na altura dos ombros, lisos do tipo escorrido, ele mais parecia um surfista. Tinha 21. Ele se apresentou e os dois se entenderam logo de cara. Havia uma química entre eles. O papo era agradável e a noite estava linda. Falaram sobre músicas, viagens, gostos, culinária e uma infinidade de assuntos. Sentiram-se atraídos um pelo outro momentaneamente. Riram, dançaram, flertaram e foram dar umas voltas à beira-mar. Foi ao som das ondas quebrando nas rochas, sob um céu estrelado e uma lua exuberante que eles se beijaram pela primeira vez.
Sara desejava que aquela noite jamais terminasse... e pensar que ela nem queria estar ali... Os dias que se seguiram foram tão especiais quanto aquela noite. Se pudessem, nunca mais iriam embora. Viveriam lá pra sempre. Mongaguá se tornara um paraíso tropical aos olhos de Sara. Márcio sempre gostou da cidade. Aqueles quatro dias de Carnaval foram os melhores dias da vida dos dois. A felicidade de ambos atraía a atenção de todos, que belo par formavam!

Parecia magia, mas era uma forte atração! Apenas quatro dias que pareciam uma vida inteira... Acontece que toda viagem termina e aqueles dias maravilhosos chegavam ao fim, era preciso voltar pra casa!
Um dia antes da partida

Após Sara e Márcio terem se conhecido e não se desgrudarem nem por um momento durante aquele feriado inesquecível, era chegada a hora de retornar ao trabalho, aos estudos, enfim à vida cotidiana. 
Na terça à noite se despediram já que no dia seguinte deixariam a cidade, ela iria pra São Paulo e ele para Santo André, no ABC Paulista. Por que será que sentiam uma angústia no peito? Não era pra ser assim, pois combinaram de se encontrar, estavam até namorando, esse era o plano! Nunca nenhum dos dois iniciou um namoro assim tão rápido! No entanto, algo mágico aconteceu entre eles, parecia que se conheciam havia muitos anos. E nenhum dos dois conseguia explicar pra si e nem falar para o outro sobre aquela sensação ruim que sentiam.
Fizeram amor na praia de madrugada, dentro de um barco ancorado na noite da despedida. E foi arrebatador!

A partida

A quarta-feira chegou e os dois retornaram para suas casas, ele foi logo de manhã e ela no final da tarde... voltaram finalmente para suas vidas.
Os dias se passaram e nenhum contato foi feito da parte de Márcio, uma semana, duas, três,  um mês  e nada! Sara não compreendia a razão de seu amor não lhe telefonar. Ao desabafar com uma amiga, esta lhe disse - então telefone você!
Foi nesse momento que ela sentiu uma dor invadir seu peito, o desespero tomou conta do seu ser. Explicou para a amiga que somente Márcio havia anotado o seu telefone residencial, naquele tempo não possuíam um celular, ela ficou de anotar também o número da casa dele, depois, com tantos assuntos e programas pra fazerem acabou esquecendo. E partiu sem fazer isso, uma falha, um absurdo... Estava na dependência dele, mas teria ele perdido o número? Ou simplesmente jogado fora? Afinal, como dizem por aí "amor de praia não sobe a serra".
Sara pensava em cada minuto vivido ao lado de Márcio, tentava extrair da memória algo relevante que pudesse ajudá-la a reencontrá-lo. Eles conversaram sobre os mais variados assuntos. Falaram sobre passado, presente e futuro, sobre qualidades e defeitos, pontos fortes e fraquezas, muitas eram as coisas em comum. Fizeram tantos planos e ainda assim, tudo o que sabiam era o primeiro nome e a cidade do outro, não havia informações necessárias para se localizarem.
Como puderam ser tão displicentes? Não falaram onde trabalhavam, apenas o que faziam, não disseram um para o outro onde estudavam, somente a profissão que desejavam exercer, sequer comentaram entre si quais lugares frequentavam nas suas respectivas cidades. Santo André não é longe, mas dependendo do bairro em que se esteja fica fora de mão. Em contrapartida, procurar alguém em São Paulo é como procurar uma agulha no palheiro ou, pior ainda, como procurar uma correntinha perdida caída no oceano.
Sara pensou em inúmeras ações: fazer cartazes, faixas e outdoors espalhando-os por Santo André inteira pra tentar localizá-lo. Pensou, pensou e só pensou. Ao longo dos anos, a cada feriado, ela ia para Mongaguá sempre na esperança de revê-lo. Em vão andou por todos os lugares por onde passaram naqueles inesquecíveis dias de Carnaval...

E o tempo avançava implacavelmente!

As preocupações e a rotina do dia-a-dia foram tomando espaço, o passar dos anos foram deixando aqueles momentos cada vez mais distantes. Esquecer, ela não esqueceu, só que o tempo fez parecer como cenas de um filme, como se ela não tivesse vivido e sim assistido a um lindo romance. 
Algumas noites, a moça sonhava com Márcio e acordava triste, perguntava a si mesma se pelo menos por um breve instante ele se lembraria dela. Quanto tempo ele teria levado pra esquecê-la? Por que nunca telefonou?
E a vida seguia seu curso...
Sara casou-se em 2004, aos 30, 11 anos após o inesquecível Carnaval de 1993. Gostava muito de seu marido, Rui, um homem inteligente, bonito e apaixonado por ela. Tiveram um filho. Eram felizes sem dúvida, eram muito felizes! Teria Márcio se casado também? Eram raros os momentos em que ela pensava nele agora, mas ainda acontecia.
O casamento de Sara durou 6 anos muito bem vividos, ela lamentou o fim dessa união que parecia ser promissora, pra vida inteira. Ficou realmente abalada.

O inesperado

Com o fim da relação, Sara decidiu fazer uma viagem pra esparecer e escolheu Veneza, a Sereníssima no norte da Itália. Um lugar romântico, ideal para estar acompanhada, entretanto, não havia problema, ela sempre quis conhecer essa cidade e estar só não a impediria de aproveitar cada instante.
A Itália parece ter magia, contagia os turistas e Sara ficou fascinada por seu encanto. Sentia-se um pouco culpada por deixar o filho com sua mãe, mas precisava desse tempo para repor as energias.
No 3º dia, estava num caffè e, distraída, admirava o local e as pessoas entusiasmadas. Observava os casais apaixonados e pensou em sua falta de sorte no amor. Nesse momento, ela sentiu uma mão tocar seu ombro e uma voz a dizer:

- Come stai, bella mia?

No que olhou, sentiu seu coração parar por alguns segundos, depois ele recomeçou a bater cada vez mais forte, a acelerar descompassadamente, a disparar... até que ela faleceu... (ahahaha brincadeira, não resisti). Sara nada conseguiu dizer, apenas sorriu, era Márcio!
Após um momento de pura emoção, ela respondeu:

- Non potrei stare meglio!

Desataram a rir enquanto os olhos marejados pelas lágrimas contraditórios ao riso brilhavam. Finalmente tinham se reencontrado! Eles se abraçaram de modo apertado e prolongado, foi inusitado, inimaginável e emocionante. Deram um beijo cheio de saudades e perceberam que nada havia mudado. Os dois se reconheceram assim que se olharam. Eram as mesmas sensações, a mesma leveza, corações em desalinho. Conversaram sobre exatamente tudo, tudo o que viveram desde aquele Carnaval até os dias atuais.
Márcio contou que ao chegar em casa, procurou o pedaço de papel com o número do telefone de Sara, mas havia perdido. Falou da tristeza dessa separação e de toda sua vida desde então.
Ele se casou duas vezes, o primeiro casamento resultou num divórcio, o segundo num luto há pouco menos de um ano. Teve dois filhos com a primeira esposa e uma filha com a segunda. Não pôde negar que foi feliz.
Finalmente, ambos estavam livres para recomeçarem de onde pararam tantos anos atrás. Desta vez, não cometeriam os mesmos erros. Trocaram todas as informações possíveis e imagináveis. Em 93, sequer possuíam um endereço de e-mail...
A conversa foi longa e animada, nem perceberam as horas passando.
Sara e Márcio viveram dias apaixonados em Veneza, passearam pela Basílica de San Marco, andaram de gôndola pelos canais e foram em todos os pontos turísticos.
Ela está linda - pensava ele, uma beleza de mulher e não de menina. Já ele, tinha cortado os cabelos, estava mais sério, maduro, um pouco grisalho, porém, mais atraente seria impossível - refletia Sara.
Muitas vezes, não sabemos por qual razão é necessário mudar as direções. Nós, simples mortais, não compreendemos, mas existe uma razão maior que nos faz seguir outros rumos e nos vemos tendo que abrir mão de desejos e planos. Porém, o que é de cada um... é e ninguém poderá mudar isso.

E foi assim, o mesmo destino que os separou, os uniu novamente quase 18 anos depois, desta vez para sempre.
Sandra

sábado, 2 de janeiro de 2010

Feliz Ano Novo



O nosso caminho é feito
Pelos nossos próprios passos...
Mas a beleza da caminhada...
Depende dos que vão conosco!
Assim, neste NOVO ANO que se inicia
Possamos caminhar mais e mais juntos...
Em busca de um mundo melhor, cheio de PAZ,
SAUDE, COMPREENSÃO e MUITO AMOR.
O ano se finda e tão logo o outro se inicia...
E neste ciclo do "ir" e "vir"
O tempo passa... e como passa!
Os anos se esvaem...
E nem sempre estamos atentos ao que
Realmente importa.
Deixe a vida fluir
E perceba entre tantas exigências do cotidiano...
O que é indispensável para você!
Ponha de lado o passado e até mesmo o presente!
E crie uma nova vida... um novo dia...
Um novo ano que ora se inicia!
Crie um novo quadro para você!
Crie parte por parte... em sua mente...
Até que tenha um quadro perfeito para o futuro...
Que está logo além do presente.
E assim dê início a uma nova jornada!
Que o levará a uma nova vida, a um novo lar...
E aos novos progressos na vida!
Você logo verá esta realidade, e assim encontrará
A maior Felicidade...e Recompensa...
Que o ANO NOVO renova nossas esperanças,
E que a estrela crística resplandeça em nossas vidas
E o fulgor dos nossos corações unidos intensifique
A manifestação de um ANO NOVO repleto de vitórias!
E que o resplendor dessa chama
Seja como a tocha Que ilumina nossos caminhos
Para a construção de um futuro, repleto de alegrias!
E assim tenhamos um mundo melhor!
À todos vocês companheiros(as) que temos o mesmo ideal,
Amigos(as) que já fazem parte da minha vida,
Desejo que as experiências próximas de um ANO NOVO
Lhes sejam construtivas, saudáveis e harmoniosas.
Muita Paz em seu contínuo despertar!
"UM FELIZ 2010"

(Desconheço o autor, mas faço minhas estas palavras...)

Tenho esperança que 2010 será um ano de renovação, de fé, de mais amor, de paz. Problemas sempre teremos, adversidades fazem parte da vida, entretanto, eu sinto uma energia boa pra esse ano que começa. Pra mim, 2009 não foi um ano muito bom, mas 2010 há de ser promissor, de grandes realizações e resultados positivos. Desejo o mesmo para todos. E feliz Ano Novo!!!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Hoje eu preciso de mim...

Hoje eu preciso de mim.
Juntar palavras derramadas
Sentimentos escondidos.
Pintar as dores em cores vivas.
Virar páginas... folhear outras
Abandonar convenções, juntar cacos
Desatar nós, tirar o pó da vida.
Hoje eu preciso de mim... Inteira
Olhar no espelho e me enxergar
Voar, voar, voar até cansar
E descansar dentro de mim
Preciso do silêncio... do barulho..
Do dia e da noite... do tempo!
Hoje eu preciso de mim... absoluta e plena
Preciso acordar, gritar... me conduzir
Chorar, sorrir, acertar, errar
Insistir, desistir, tentar... parar o relógio... ou acelerar
Sair do labirinto e romper teias... dizer Adeus.
Eu preciso voar!
Contornar minhas linhas e minha existência
Hoje preciso de mim...
Preciso voltar pra mim!

Uma poesia de Rozeli Mesquita, extraída do site http://sitedepoesias.com.br/poesias/

sábado, 10 de outubro de 2009

Todo dia é dia das crianças...

Criança é um barato. O meu filho vive me surpreendendo. Ele tem o hábito de ficar feliz quando o 'caminhão' de gás passa, costuma parar tudo o que está fazendo e sai pra olhar pela janela ou vai até o quintal pra ver de perto.

- Oi, homem do gás!
- Oi, menino!

E o sorriso dele vai de orelha a orelha.
O mesmo acontece com o caminhão da coleta de lixo.

Todos os anos, um morador aqui na rua se veste de Papai Noel e passa numa caminhonete vermelha distribuindo balas e presentes, cada pai ou mãe entrega na casa desse vizinho um presente com o nome da criança e o nº da casa. É muito divertido, a rua vira uma grande atração. E acreditem, meu filho faz mais festa com o caminhão da coleta de lixo cujos trabalhadores passam acenando pra ele do que com a passagem do Papai Noel, final do ano passado foi assim.

Dia das crianças está chegando, meu filho já está ganhando presentes dos tios e avós-coruja, são brinquedos legais, até eu curto brincar. Mas sabem com o que ele está brincando e se divertindo? Com uma bolinha que eu fiz amassando papel e passei fita adesiva em volta pra não desmanchar rsrs, os brinquedos estão lá aguardando sua vez, jogados no chão da sala. Um limão também serve, viu? Esse é meu filho!

No supermercado, por exemplo, eu coloco as compras dentro do carrinho e ele, de dentro do carrinho, joga pra fora. Se eu deixá-lo andando comigo no chão, ele vai atrás das laranjas e dos limões pra jogar e chutar, ou seja, ir com ele ao supermercado nem pensar, pois lá não é um campo de futebol rs. Mas, o que percebo? Que coisas simples fazem meu pequeno tsunami feliz. Muitas vezes nos preocupamos tanto, pra quê? Ser feliz é muito mais fácil que isso.
Vamos levar nossos pequenos pra passear, vamos presenteá-los, porém, vamos participar brincando, vamos improvisar e receber como prêmio aquele sorriso lindo.

Pensar na educação que damos aos nossos filhos é primordial para transformá-los em homens e mulheres decentes e de fibra no amanhã. Criança deve ter infância: rir, jogar bola, brincar com carrinhos e bonecas, pega-pega, esconde-esconde ou seja lá a brincadeira que for. Para no futuro, se tornar um homem ou mulher de bem, sem traumas, sem marcas e com capacidade de ser um/a educador/a.

Também vamos nos unir e dizer não à pedofilia e a qualquer tipo de violência às crianças.
Onde denunciar:
Polícia Federal: http://www.dpf.gov.br/
Ministério Público: http://www.prsp.mpf.gov.br/
Interpol: http://www.interpol.int/

É isso, toda dia é dia das crianças, dia de dar nosso amor incondicional e sermos duros quando necessário para o aprendizado dos pequenos.
Quanto ao meu tsunamizinho, não sei se vai brincar com os brinquedos que ganhou ou se terei que ir à feira comprar limão rsrs. Seja como for, desejo um feliz Dia das Crianças para todos, inclusive para a criança que existe dentro de cada um de nós.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

As dez coisas que eu detesto

Olá, pessoal Eu aceitei o desafio da Luísa, (Lulei), e elegi as 10 coisas que mais odeio. Confesso que existem muitas coisas que eu não gosto, felizmente consegui escolher dez rsrs. Segue a lista abaixo, não estão todas na mesma ordem necessariamente:


  1) Falta de educação - essa palavra é muito abrangente. As pessoas precisam "se tocar" de que o direito delas acaba quando começa o do outro, respeitar o próximo e o meio ambiente é fundamental. Tente se colocar no lugar de alguém e pense "e se fosse com você"? Odeio quando vejo alguém jogar lixo no chão. Odeio quando vejo alguém que não cede banco reservado a quem tem direito. Essas são práticas muito comuns hoje em dia, trata-se de atitudes feias. 

  2) Barulho fora do horário permitido: eu tenho uns vizinhos que têm o hábito de começarem uma festa de arromba durante a madrugada. Além disso, outra vizinha sempre fazia cultos no lar, considero algo muito bom. Isso deve proporcionar uma paz indescritível, mas o culto tem que começar depois da meia-noite? E em pleno dia de semana? É culto pentecostal, então já dá pra imaginar... Eu disse 'fazia' porque ela resolveu mudar o horário. Chamo a polícia mesmo! Acordo cedo apesar de adorar dormir até mais tarde. Aguardem, falarei sobre isso logo mais rs. 

  3) Falta de noção: não suporto quando alguém não respeita a opinião alheia. Se você gosta de azul, eu gosto de vermelho e daí? As pessoas precisam aprender a viver em sociedade, caso contrário, floresta existem muitas... E boa viagem!!! Outro dia, dei minha opinião a respeito de um assunto num certo post, comentei no blog da pessoa. Um indivíduo cuja a opinião era contrária a minha, também foi lá comentar e queria me convencer de que eu estava errada. Por favor, me poupe! Eu respondi a ele o seguinte, eu respeito toda e qualquer opinião, mas mantenho a minha sempre! (A menos que fatos concretos me mostrem que estou errada). Sinceramente, eu não tento mudar o ponto de vista das pessoas, cada um tem o seu, é uma pena que há aqueles que acham que todos devem pensar igual, lamentável. 

  4) Esperar: assim como o amigo Lison, detesto esperar, fico ansiosa. Não custa a pessoa avisar a respeito de um atraso. E se eu tiver que esperar por um resultado então? Seja sobre o assunto que for, não gosto. 

  5) Chicletes: eu também não suporto quem fica mascando chiclete e estourando bolinhas ahahaha. Sou do time da Tereza e do Diego, isso é estressante. E também não gosto de quem mastiga qualquer comida e fala ao mesmo tempo, fazendo barulho e mostrando a comida mastigada dentro da boca. É um horror! 

  6) Corinthians: bem, me desculpem os corinthianos rsrsrsrsrs, mas eu DETESTO o Corinthians!!! 

  7) Pessoas fungando: eu me irrito com gente que fica fungando sem parar. Está com gripe? Ok, mas por favor, assoe o nariz! Simples e fácil. Porque é muito irritante ficar perto de uma pessoa que parece estar 'chupando cana' o tempo todo.

  8) Torneira pingando: outro fator em comum com o amigo Lison, além de ser um desperdício de um bem precioso que é a água, ainda é extremamente irritante ouvir as gotas caindo.

  9) Bocejo: vocês vão descobrir que sou chata ahahahaha. Insuportável! Preciso de terapia mesmo. Vou tentar explicar, todo mundo boceja, isso é perfeitamente normal, mas confesso que me irrita quando alguém boceja parecendo um urso urrando. Sabe, tem horas que quero ficar concentrada no que estou fazendo e, de repente, ouço um "uahahahahahahahahahah". Até me assusto rs.

10) Acordar cedo: eu não poderia deixar de confessar meu segredo rsrs. Amo dormir, não me importo em ir me deitar tarde, mas acordar cedo é um drama sempre. Detesto acordar cedo! É isso. Sei que posso exagerar em algumas coisas, entretanto, seria hipocrisia da minha parte não colocar esses itens. Chocados? Rsrsrs. Passo a bola para João Poeta, a Patchulla, Emília, Maha, Atila, Joselito, Príncipe Encantado, Ismaelita, Alex e o amigo Nogueira. Caso algum de vocês já tenha feito, desconsiderem rs.

domingo, 14 de junho de 2009

Tudo o que eu preciso é amor

Eu não desejo sentir somente sua boca na minha
Nem suas mãos tocando minha pele
Quero mais, sair dos meus devaneios noturnos
Destruir essa barreira que nos fere

Quando você me chama, o mundo se ilumina
Eu me sinto sucumbir
Até as flores parecem mais belas
No momento em que você sorri

Tanto carinho tenho pra lhe dar
Fazer nosso amor acontecer
Sempre me perco em seu olhar
Quero a delícia de ser amada por você

Muito tenho pra lhe oferecer
Até o universo conspira ao nosso favor
Tudo o que eu preciso é você
Tudo o que eu preciso é amor

Sandra

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Criminalidade está relacionada a problemas sociais?

Seriam os criminosos vítimas da sociedade? A violência e a falta de civilidade estariam ligadas ao desemprego? A grande maioria das pessoas acreditam que sim. Contudo, como se explica a existência de tantos pobres que não roubam, nem matam? Podemos afirmar que o furto de um litro de leite, uma manteiga, uma laranja ou qualquer outro alimento com o intuito de saciar a fome trata-se de uma afronta à sociedade? Não se discute o fato de ser uma atitude incorreta, mas deveria ser considerado um crime? Crime? Então vamos mudar o foco, agredir a outro ser humano, cometer estupros, homicídios entre outros delitos significa que aqueles que os cometem são pobres incompreendidos? Os assassinos, sequestradores, estupradores, pedófilos, ou seja, esses 'coitadinhos' são discriminados e temos que aceitar que em virtude disso, eles descontem em inocentes?
Não é novidade que os membros dos Direitos Humanos os defendem com unhas e dentes, boa parte dos políticos ignoram a maioria dos problemas sociais porque precisam gastar o dinheiro do contribuinte em sua vida privada em vez de direcioná-los ao destino correto e sequer estão preocupados com as leis judiciais que precisam de reformas. E a população? Vai continuar aceitando essa posição? Até quando?
É impressionante, mas existem exemplos de pessoas que saíram do nada e conseguiram se destacar na vida sem se tornarem marginais enquanto muitos filhinhos de papai que têm tudo, partem para a criminalidade. Pois é, isso prova que desculpas foram feitas para serem usadas. Francamente! É possível mudar gostos, hábitos, estilos de vida sim, as pessoas podem mudar de ideias, há essa flexibilidade que possibilita essas mudanças, porém, a essência é a mesma, não há como mudar a personalidade de alguém, o que prova que o caráter ou a falta dele não está relacionada à pobreza ou riqueza. Que bom seria se todas as pessoas pudessem viver bem, se não houvesse essa má distribuição de renda, se a renda per cápta não fosse a vergonha que é e se todos tivessem seu lugar ao sol, infelizmente, não é assim. Só que um erro não justifica o outro, não está sendo criticado aqui um ato desesperado de um pai mediante a fome de um filho e sim as barbaridades que muitos seres "humanos desumanos" praticam, entretanto, muito pior é atribuir esses fatores aos problemas sociais.
Sandra

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Rendezvous

Esse é um texto de Silvio Guerra, mas faço minhas as palavras dele!Sabe quando temos a sensação de que as coisas começam a perder o sentido? Creio que isso acontece porque podemos não acompanhar o ritmo das mudanças, sejam elas quais forem. Como se do dia pra noite tudo não passasse de rotina numa selva de concreto não mais sentimental e abstrata como antes, mas irreal e inconsistente; é difícil, porém não consigo me cegar a essas reviravoltas e fingir que nada está acontecendo. E daí você sente que deve escrever para não explodir com tanto o que pensar, entre possibilidades e tentativas de entendimento de situações impossíveis de se entender. É, nasci com essa semente verbal que aos poucos vai germinando em milhares de frases, mas de que adianta sendo que não consigo aprender nada comigo mesmo? Ainda mais porque não estimo grandes conquistas para pessoas que não conhecem a si mesmas... No entanto quanto mais penso, me perco no horror de imaginar ser uma dessas pessoas, por mais que minhas ambições sejam maiores que meus próprios sonhos. E existe um abismo de diferença entre ambos... Mas enfim, esse é um texto sobre mim, portanto não confunda quem fala com o que é dito, já que como disse no início, a minha tão uniforme e retilínea lógica está mais uma vez sendo interrompida por uma série de reações em cadeia que bagunçam generalizadamente TODOS os meus aforismos, não vejo mais motivos pra tentar escrever para mim mesmo... Sabe quando você percebe que vai deixar tudo desabar? Sinto o sangue que corre nas minhas veias congelando e não vejo solução para isso a não ser a única estrada que me resta dentre todas as alternativas. Não preciso nem dizer que é a mais complicada, certo? Já prevejo minhas próximas palavras sangrando em versos de culpa, egoísmo e irresponsabilidade... Mas o que diabos eu entendo de ”Amor”? Sei que é muito mais que palavras e sentimentos, entretanto meu passado de trilhas de corações desapontados e esperanças perdidas equilibram-se com todos os sorrisos que já fui capaz de proporcionar. Novamente, vejo-me preso nessas correntes de prerrogativa felicidade momentânea... No entanto, será diferente. Serei eu quem proporcionará as novas mudanças e por mais que doa, este continua sendo meu jogo e ainda se manterá no meu ritmo, nas minhas circunstâncias, as quais ninguém além de mim mesmo precisa entender. Não quero me manter tendo essa impressão de que estou perdendo meu tempo num sacrifício sem fim.Voltando aos meus caminhos... Se de um lado jogo para o alto todas as decisões já feitas e os ganhos já tidos, do outro vejo um novo mundo se abrindo aos poucos com dezenas de pequenos universos a serem explorados sem receio ou compromisso algum. É aquela velha história da contrabalança entre o que se tem e o que se poderia ter; ah, como eu queria que fosse simples assim... Há coisas muito mais profundas do que essas palavras podem dizer. Mais uma vez levei as coisas longe demais. Dizem que só aprendemos de verdade se for pelo caminho mais difícil, sabe, eu até concordo com isso, mas a minha realidade... a minha realidade é outra. Sinto como se merecesse toda essa neblina que abruma cada vez mais meu orgulho com a dor de uma decisão pendente... A propósito, rendezvous é um termo em francês que significa “bagunça”, mas também pode significar “retorno” ou “encontro”. Não existe, em todo meu livro de palavras, um título melhor para este atual momento...

Silvio GuerraPublicado no Recanto das Letras em 02/01/2008Código do texto: T799521

Sentimento Doido

Sentimento estranho, inexplicável e forte;
Surge de repente e nem depende de sorte;
Invade a alma, os póros, a mente e o coração;
Que nos faz pensar em loucuras e não sentimos os pés no chão;
Perdemos o controle, num momento há vontade de sorrir, noutro chorar;
Gera ciúmes e desconforto, é difícil suportar!
Sentimento doido esse que nos leva embora a razão;
Ainda assim é prazeroso de sentir, estou falando de paixão.
Sandra

terça-feira, 2 de junho de 2009

Acredite em seu potencial

Existem pessoas que não sentem segurança em se arriscar porque se preocupam com a opinião alheia ou porque elas têm medo de errar. Pois então eu lhe digo, se você der uma mancada qualquer, sempre vai ter alguém pra falar e apontar, porém, se você não cometer nenhuma falha... também. Não há jeito! Não há como escapar!
Somente quem tenta consegue obter resultados favoráveis, é errando que se aprende, nada desce flutuando do céu até cair nas mãozinhas ou no colo de alguém, isso implica levantar a bunda do sofá, parar de se lastimar e seguir em busca dos objetivos. Inove! Os resultados mais incríveis vieram das ideias, a princípio, mais absurdas. Elas foram trabalhadas pouco a pouco até tornarem-se um sucesso. Você precisa ter um diferencial, focar naquilo em que é bom, reflita sobre o que você faz de melhor e destaque-se. Há espaço pra todos, não abaixe sua cabeça, não se importe com a língua ferina de quem é incapaz de realizar, mas está sempre pronto a minimizar as conquistas de quem não tem medo de dar a cara pra bater. As críticas negativas nos acompanharão até o fim de nossos dias, então vamos transformá-las em aprendizado. Sempre que tiver ideias, considere-as, planeje o melhor caminho a transformá-las em realidade, não desista nas primeiras quedas, seja mais você e acredite em seu potencial.
Sandra

O que esperar do amor?

Passear de mãos dadas numa linda praça?
Tomar sorvete ou comer algodão-doce juntinho?
Ou será que em vez do romantismo, esperar algo mais picante?
Sentir o chão se perder sob os pés?
O que esperar do amor?
De repente, idealizamos uma pessoa, criamos inúmeras expectativas e quando nos damos conta, percebemos que ela nunca existiu. Aí vem a frustração.
Tornar o fruto da nossa imaginação em realidade é uma missão quase impossível.
O segredo é não fantasiar, aguardar a pessoa chegar e viver os momentos ao lado dela.
Justamente quando menos imaginamos o amor acontece, surge quebrando regras, ultrapassando obstáculos e nos faz sucumbir.
Simplesmente deixe-o acontecer, não planeje , nem tente entender.
Sandra Franzoso

Sereias

Jorge era um pescador muito corajoso. Era um homem de boa aparência e um estilo único. Em suas pescarias só levava como companhia o gato Samuel (um vira-lata cego de um olho e bem mal humorado), Samuel ficava o tempo todo lambendo o pelo e espantando suas moscas.Quando Jorge içava a rede com peixes Samuel parava com o seu ritual e admirava a fartura. Jorge jogava sempre o menor peixe para o gato que se deliciava com a refeição. Jorge passava dias em alto mar.Um dia Jorge acordou e percebeu que seu barco estava em um lugar diferente. Havia pequenas ilhas em sua volta, algumas formadas por rochedos, outras por monte de terras e arvores. Nunca estivera em um lugar com aquele, era um Oásis em meio ao oceano, pensou.O barco se aproximou da ilha e ele pôde desembarcar com segurança, amarrou o barco em uma pedra bem firme para que o mesmo não desaparecesse, foi ai que percebeu que não estava sozinho. Sentada em uma pedra havia uma linda mulher, seus cabelos eram compridos e verdes como as algas, não usava nem uma folha de parreira para esconder suas vergonhas. Com um espelho enfeitado com conchas e um pente de marfim cravejado com perolas e esmeraldas a bela mulher penteava seus cabelos.Jorge aproximou-se cautelosamente da mulher para não assustá-la. Escondeu-se atrás da pedra em que a mulher estava sentada e continuou observando os seus movimentos.A forma com que a bela mulher penteava os cabelos era quase que hipnotizante, o pente deslizando sobre os fios brilhantes e lisos, a forma como ela olhava-se no espelho admirando suas formas, percebeu que a mulher era de uma sintonia perfeita. Os cabelos verdes combinavam com os olhos cor de mel e a pele rosada. Como uma mulher que estava um tempo tomando sol naquela pedra, podia ter aquela pele tão rosada e sem manchas ou sardas?Foi quando ouviu uma voz feminina atrás de si:- Olá belo rapaz. Apreciando minha irmã Julieta?- Hã? E desculpe senhora apenas a vi...Jorge ficou surpreso com a visão que estava tendo. Pensou estar sonhando, cinco lindas mulheres todas nuas. Seus cabelos eram coloridos como as algas do mar. Algumas tinham os cabelos lisos, outras cacheados.- Quem é você? – perguntou ele- Sou Serena, raínha das sereias da Ilha das Ostras.- Sereias? Eu não acredito... Então é verdade? Existem sereias?- Claro que sim? Estamos aqui há milhares de anos. Na realidade nossas antepassadas estão aqui a milhares de anos, somos jovens ainda. Nosso tempo de vida é 200 anos, não estamos nem na metade disso. – Serena falava com um sorrisinho nos lábios.Jorge começou a lembrar das lendas que ouvia quando era criança. Toda vez que um pecador saía para pescar sozinho ele desaparecia e todos colocavam a culpa nas sereias. Sua mãe dizia que o pai dela havia sumido certa noite, todos procuraram ele em alto mar e seu barco só foi achado semanas depois vazio. Estava intacto. Naquela noite ouviram um canto melancólico, era a voz de uma mulher. A voz de uma sereia.Ninguém nunca soube o porque do desaparecimento dos pescadores, diziam que as sereias seduziam os pescadores para procriarem e depois o levavam para alto mar para serem devorados por tubarões.Ao indagar Serena sobre esse assunto ela respondeu.- Nós não matamos ninguém meu jovem pescador. Eles não suportam a realidade e fogem morrendo afogados ou devorados pelos peixes maiores.- Que realidade é essa que o homem não pode suportar?Serena saiu sem responder nada. Seguida pelas irmãs, apenas Julieta continuava ali com seu ritual. Aquilo começou a incomodar Jorge de uma forma terrível.Samuel estava agora fora do barco, comia alguns peixes deixados pelas sereias na margem. Jorge percebeu que o barco estava sendo levado pela correnteza, correu, mas, já era tarde.A noite caiu. Julieta parou com seu ritual e caminhou até a margem da praia. Olhando as estrelas começou a cantar uma musica muita linda. Jorge ficou paralisado, apenas sentia vontade de deitar-se com aquela mulher e amá-la. Sentiu uma dor muito forte no peito. Correu até Julieta e a possuiu. Durante todo o acasalamento Julieta cantou.Logo em seguida as outras sereias começaram a cantar, Jorge acasalou-se com todas as seis sereias uma em seguida da outra sem descanso. Nenhuma parava de cantar, Jorge tentou fugir, mas não conseguiu. Morreu depois de ter deitado com as moças pela segunda vez.Serena olhou para o corpo de Jorge e ordenou que o levassem de volta ao mar.- Abandonem assim que a maré estiver em outro rumo. Se tiver sorte os restos chegarão na praia, senão, os mariscos ficarão felizes em devorá-lo.Duas das irmãs de Serena entraram no mar. Carregando o corpo, suas pernas se transformaram em caudas enormes cheias de escamas e nas costas duas fendas se abriram isolando os pulmões humanos.Serena olhou para Julieta e explicou:- Há milhares de anos uma mulher chamada Sereia se apaixonou por um peixe, ela era amante de Netuno, o rei das águas. Como castigo Netuno condenou-a a viver como metade peixe e metade mulher. Só que para procriar ela deveria sair das águas e encantar um homem.- Majestade por que não sentimos prazer? – perguntou Julieta- Fomos condenadas a nunca sentir prazer, nos acasalamos apenas para gerar novas sereias. Os homens enlouquecem com nossos cantos, mas, é a única forma deles conseguirem acasalar conosco.- Não entendo majestade?- Você é muito jovem ainda Julieta. Nossa irmã está querendo dizer que se ele estivesse em sã consciência teria percebido que no lugar de genitálias temos bolsas, como os peixes jogamos nossos óvulos no mar e depois temos que fazer o papel do macho jogando os espermas dos pescadores sobre os óvulos. – disse uma das moças que estavam ao lado de Serena - Então cobrimos nossos óvulos fecundados com algas e esperamos algumas semanas para que nasçam. Antigamente as pequenas sereias sobreviviam aos perigos do mar. Essa ilha chegou a ser habitada por milhares de nós. Hoje devemos agradecer se duas ou três sobreviverem.- Julieta você logo será a rainha da Ilha das Ostras. Meus dias estão chegando ao fim. Provavelmente essa será minha ultima cria. Como minha única filha viva, você deverá reinar e trabalhar para que nós nunca desapareçamos do mundo.- Farei o possível, majestade!- Agora devemos ir. Os espermas humanos vivem apenas 24 horas.- Majestade, o que aconteceria se gerássemos filhos de animais aquáticos?- Isso não é possível minha princesa. Todos temem a fúria de Netuno, aqueles que se atreveram a isso, foram extintos ou obrigados a viver bem no fundo do mar, onde nenhuma luz ou nenhuma máquina consegue chegar.- Quando algum deles atreve-se a subir para a luz, Netuno invoca toda a sua forças e cria uma onda gigantesca, os animais não resistem tanto poder e morrem, muitas vezes essas ondas chegam a praia e destroem aldeias de pescadores e chegam a matar os seres terrestres.As quatro sereias caminham até o mar e mergulham, como as outras duas, suas pernas transformam-se em caldas e em suas costas são abertas fendas protegendo os pulmões. Elas nadam até o mar dando inicio a um novo ciclo de vida.
Por Debby Lenon - 16/03/2006 - http://www.contosdadebby.blogspot.com/

Vida (por Flora Figueiredo)

Na dúvida, faça.
O risco faz parte.
A graça está em tentar em vez de sentar e assistir;
O mundo está em esticar-se todo para atingir;
Omundo está no desafio da interrogação.
E porque não? Entre na festa, arranque a capa, morda a maçã.
Desate o cinto para voar livre pelo amanhã ainda que ele seja um labirinto.
Deixe o ID rolar nessa arte viva de arriscar, cônscio e devoto.
Pois que viver não é entrar no mar onde dá pé, mas mergulhar com fé no maremoto.

Inovar é preciso

Ele se livrou da armação (texto para reflexão)
Conta uma lenda que na Idade Média, um religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor do crime era uma pessoa influente do reino e, por isso, desde o primeiro momento se procurou um bode expiatório para acobertar o verdadeiro assassino.O homem foi levado a julgamento já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história.O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado para que provasse sua inocência. Disse o juiz:- Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor: vou escrever em um papel a palavra INOCENTE e em outro a palavra CULPADO. Você pegará um dos papéis e aquele que você escolher será o seu veredicto.
Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis com a palavra CULPADO, fazendo assim, com que não houvesse alternativa para o homem. O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um. O homem, pressentindo a armação, fingiu se concentrar por alguns segundos a fim de fazer a escolha certa, aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou-o na boca e engoliu. Os presentes reagiram surpresos e indignados com tal atitude. E o homem, mais uma vez demonstrando confiança, disse:- Agora basta olhar o papel que se encontra sobre a mesa e saberemos que engoli aquele em que estava escrito o contrário.
Autor desconhecido

A loucura e o amor, inseparáveis


A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa. Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade. - Esconde- esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar.Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.-1,2,3,... - a Loucura começou a contar.A Pressa escondeu-se primeiro num lugar qualquer. A Timidez, tímida como sempre, escondeu- se na copa de uma árvore. A Alegria correu para o meio do jardim. Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder. A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra. A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo. O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove.- Cem - gritou a Loucura.- Vou começar a procurar.A primeira a aparecer foi a Curiosidade já que não agüentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar. Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder. E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez...Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou:- Onde está o Amor? Ninguém o tinha visto.. A Loucura começou a procurá-lo. Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito.Era o Amor, gritando por Ter furado o olho com um espinho. A Loucura não sabia o que fazer.Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui- lo até o fim da vida.O Amor aceitou as desculpas..Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre.
Fonte: Mensagens e Poesias.
http://mensagensepoemas.uol.com.br/fabulas/a-loucura-e-o-amor-2.html

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Não tenho tempo pra envelhecer

Um texto de Arlete Sacramento
A única diferença entre o personagem lendário e eu é que não vendi a minha alma ao diabo, mas eu também não envelheci!
Sinceramente, se me perguntarem minha idade, eu não saberei dizê-la. Sou tão feliz por fazer tanta coisa que o tempo passa por mim sem que eu sinta.
É a brisa que bate em meu rosto e segue seu caminho.
É o infinito azul que me inspira e esqueço o ontém e o amanhã.
Não tenho tempo pra envelhecer.
Experimente, não fique aí parado lamentando-se esperando que a vida passe!
As rugas qual chibatadas vincarão seu rosto.
Vamos, sorria um pouco... goste de você mesmo... sonhe com o próprio sonho... ame com amor...
Erga os braços, realize aluma coisa.
Eu não tenho tempo pra envelhecer!Quando meu rosto disser que tenho cem anos, não acreditem porque minha alma é uma eterna juventude.
Eu não tenho tempo pra envelhecer!